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História – Portimão e a industria conserveira

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História – Portimão e a industria conserveira

Mensagem  Convidad em Ter Fev 08, 2011 12:49 am

Nos anos 50/60 do século XX, Portimão foi um dos mais importantes pólos industriais da produção de conservas de peixe do país com suporte numa numerosa frota de pesca da sardinha, cavala, atum e biqueirão – estas duas últimas espécies provenientes do sotavento algarvio.
Nas duas margens do rio Arade, no seu curso final antes do Atlântico, laboravam:na margem direita 10 unidades industriais;
na margem esquerda (concelho de Lagoa) 11 unidades.
Estes números são de memória, mas penso que estão correctos.
Haviam, ainda, duas unidades fabris cuja actividade complementava a das fábricas conserveiras – uma de produção de farinha e óleo de peixe e outra de produção de pasta de pimentão.
Estas 21 fábricas produziam excelentes conservas de peixe -- filetes de sardinha e de cavala com ou sem pele e espinha, filetes de atum algum pescado nas armações de Tavira. No Inverno, altura do “defeso da pesca da sardinha” (era interdita a sua pesca industrial para recuperação dos cardumes) produziam conservas de filetes de biqueirão lineares ou enrolados sobre alcaparras. Os biqueirões, peixes semelhantes às sardinhas mas mais esguios, ainda frescos eram descabeçados e desviscerados e, depois, colocados em barris de madeira aonde permaneciam alguns meses em salmoira até serem finalmente limpos e enlatados.
Todas estas fábricas trabalhavam a matéria-prima pescada por uma grande frota constituída por galeões (motorização a vapor), traineiras e enviadas (motorização a diesel), buques e canoas (movimentação á vela e a remo). Os galeões e as traineiras pescavam com as redes de cerco, e os restantes transportavam o peixe, retirado das redes de cerco, para a lota de Portimão.
Considerando que cada fábrica empregava cerca de 200 mulheres e 30 homens, não contando com o pessoal administrativo e das indústrias subsidiárias – azeite e embalagem (litografia, cunhos e cortantes e lata vazia) – podemos ter uma ideia da quantidade de gente ligada directamente a esta actividade: quase 5.000 pessoas. A estas podemos acrescentar outros milhares de pescadores das muitas embarcações de pesca e que constituíam as suas tripulações, e também algumas centenas de remendadores das redes de traineiras e galeões que, em terra, asseguravam a boa condição das artes de cerco (não só remendavam os cabos de rede de algodão rompidos no mar, como procediam ao alcatroamento das redes reparadas ou novas).
Ainda na órbita da indústria conserveira e pesqueira, haviam despachantes da exportação, estivadores (as conservas de peixe, os figos secos acondicionados em recipientes de palma, a alfarroba e a amendoa ensacadas, a cortiça trabalhada e enfardada em Silves, saiam pelo porto de Portimão em várias barcaças que levavam estes produtos aos grandes carregueiros fundeados em frente da Praia da Rocha -- ainda não existia o actual cais comercial), carpinteiros navais, pintores, fundidores, mecânicos, serralheiros, torneiros, afinadores de cravadeiras, motoristas marítimos, maquinistas, fogueiros, achegadores, ferreiros, etc.
Por falar em carregueiros, lembro-me de um episódio contado pelo meu saudoso pai: dizia ele --"O Sr. Judice Fialho, dono de fábricas de conservas em Portimão (2) e Peniche (1), da mais importante frota de pesca do Algarve e dos morgados de Reguengo, Arge e Quarteira (em parte deste último construiram, muitos, muitos anos mais tarde, a turística Vila Moura) enviou um barco carregado de conservas da sua prestigiada marca "Mary Elisabethe" para Londres. O importador, desonesto, já com a mercadoria descarregada no cais, telegrafou ao Sr. Fialho a pedir um desconto no preço acordado para a conserva, alegando que esta não parecia da melhor qualidade! A resposta do Sr Fialho foi esta: Se a conserva não tem qualidade vou telegrafar ao comandante do carregueiro para reembarcá-la e, no alto mar, lançá-la borda fora...
No Verão, a cidade vibrava de actividade fabril com as fábricas que recebiam peixe atordoando os ares com os silvos dos seus potentes apitos a vapor de tons diferentes para destrinça da origem, ou as suas sirenes eléctricas com modulações diversas para chamamento das operárias. Contava-se que, num desses dias de forte apelo das sirenes, um velho turista inglês que se encontrava hospedado numa residencial da cidade, certamente lembrado de bombardeamentos da “Luftwaffe” hitleriana sobre Londres durante a última grande guerra, correu esbaforido à recepção perguntando se estava eminente algum ataque aéreo!
O peixe que era descarregado no cais junto à antiga central eléctrica (margem direita), proporcionava um espectáculo de destreza e esforço. Com a maré vazia, os barcos, muito abaixo do nível do cais, carregados com o peixe a transferir para as caixas muito mais acima para posterior colocação em camionetas, era atirado do barco em pequenas canastras pelos musculosos braços dos moços da descarga. Aquilo era uma mestria pois nenhuma canastra se virava deixando cair as sardinhas…
Também funcionavam na cidade algumas pequenas fábricas/armazéns os chamados fumeiros de preparação do figo flor depois acondicionado em seiras (recipiente de palma, vulgo "empreita", e feito por velhinhas à porta das suas casas para melhoria dos seus magros rendimentos), e que ocupavam também muita gente -- homens e mulheres.
O comércio tradicional da cidade vivia dos obreiros de toda esta actividade e dos pequenos agricultores que, ao fim-de-semana, vendiam na praça local os seus produtos campestres. Também esse comércio já beneficiava do turismo que começava a florescer.
Não obstante esta tremenda actividade no Verão, em que os trabalhadores operavam quase de sol-a-sol (trabalhavam todo o dia – as refeições eram rápidas -- pois a produção nas fábricas era contínua , “o peixe em preparação não podia esperar”), os salários eram escassos e, no Inverno – período do defeso na pesca – os operários conserveiros só trabalhavam 3 dias com redução substancial das suas magras férias (salários). Havia carência de dinheiro em muitos lares de Portimão.
As conservas eram exportadas em grandes quantidades e bem pagas pelos países do Norte da Europa. Cidades como Hamburgo, Roterdão, Antuérpia (Anvers), Londres, etc. eram os tradicionais destinos das conservas portuguesas. A Europa em reconstrução, ainda ressentida da última grande guerra, importava muita comida!
Os proprietários de fábricas e armadores da pesca beneficiavam dos chorudos lucros desta exportação. As fortunas assim obtidas eram aplicadas na construção de lindos “chalés” na Praia da Rocha, local de vilegiatura das elites financeiras da cidade, ou em prédios de rendimento nas Avenidas Novas e no Areeiro em Lisboa, ou, ainda, engrossando contas bancárias.
Nas fábricas, pouco mecanizadas e de mão-de-obra intensíssima, nada era investido em termos tecnológicos para automatizar mais a produção.
Com o 25 de Abril de 1974, as justas reivindicações salariais dos operários conserveiros ditou a agonia e posterior colapso da indústria das conservas de peixe portuguesas.
A partir desta data, repercutindo o preço de venda das conservas portuguesas os substanciais aumentos salariais reinvindicados, estas deixaram de ser competitivas nos mercados internacionais.
Países produtores com processos de fabrico mais mecanizados (modernos), logo menos dependentes de mão-de-obra intensíssima, ou países onde os seus trabalhadores ainda auferiam baixos salários, conquistaram os mercados das até então muito apreciadas conservas de peixe portuguesas.
Hoje, em Portimão, é confrangedor ver o que resta de tão importante indústria local de há 40 anos. Das cerca de 21 fábricas, só restam as ruínas de algumas, outras desapareceram para dar lugar a blocos de apartamentos e centros comerciais e, de quase todas, restam para memória futura as suas altas chaminés que já não fumegam mas dão guarida a ninhos de cegonha!
Uma das fábricas mais emblemáticas na época, foi transformada em museu desta extinta indústria local.
Parte dos antigos industriais de conservas de peixe de Portimão, por cupidez e acomodação, não inovaram tecnologicamente e a cidade perdeu a sua indústria tradicional.


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